Gastar uma fortuna em instrumentos de marca ou ficar no mais ou menos?

Se você é músico de rock no Brasil, já deve ter encarado essa dúvida cruel, investir pesado em uma guitarra Fender, um baixo Rickenbacker ou uma bateria Pearl, ou se contentar com instrumentos medianos, que entregam o básico sem sugar sua conta bancária? Essa questão não é apenas sobre dinheiro, mas sobre identidade, som e até história. O rock sempre foi marcado por símbolos, e os instrumentos são parte disso. A guitarra de Jimi Hendrix, a Les Paul de Jimmy Page, o baixo Hofner de Paul McCartney. Mas será que, em pleno 2026, ainda faz sentido gastar uma fortuna em instrumentos de marca quando há opções medianas que dão conta do recado?
Instrumentos de marca carregam mais do que qualidade, carregam status. Uma Gibson Les Paul não é apenas uma guitarra, é um ícone cultural. O mesmo vale para baterias Ludwig, que moldaram o som dos Beatles. Nos anos 70, muitos músicos brasileiros sonhavam com instrumentos importados, mas a dificuldade de importação por causa da Ditadura Militar fazia com que guitarras Giannini e Tonantes fossem a realidade. E, pasme, muita coisa boa foi gravada com esses “medianinhos”.

Instrumentos medianos têm uma vantagem clara, acessibilidade. Hoje, marcas como Tagima, SX e Michael oferecem guitarras e baixos com custo-benefício excelente. Para quem está começando ou mesmo para quem já toca profissionalmente, é possível extrair timbres incríveis sem precisar vender o carro. Além disso, a tecnologia evoluiu. Hoje, até instrumentos de entrada vêm com captadores decentes e construção sólida. A questão não é apenas “marca ou mais ou menos”, mas sim, qual é o seu objetivo? Se você busca gravar discos com qualidade internacional, talvez precise de instrumentos top. Se sua banda está no circuito underground, tocando em bares e festivais independentes, um instrumento mediano bem regulado pode ser suficiente. Outro ponto é a manutenção, um instrumento de marca mal cuidado pode soar pior do que um mediano bem regulado. O segredo está em conhecer seu equipamento e extrair o máximo dele.
No fim das contas, gastar dinheiro com instrumentos de marca ou medianos é uma escolha que revela mais sobre você do que sobre o som. O rock é feito de paixão, suor e atitude. A guitarra de R$ 20 mil não vai compor a música por você. O baixo de R$ 800 não vai impedir que você crie linhas memoráveis.